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NR1 no Terceiro Setor: quem cuida de quem cuida



Trabalhar no Terceiro Setor é testemunhar, bem de perto, a força da transformação social. É ver uma criança retomando a esperança, uma mulher reconstruindo sua autoestima, uma família encontrando novos caminhos. É acompanhar histórias que se reinventam e saber que, de alguma forma, você fez parte desse movimento. Poucas áreas oferecem a oportunidade de ver tão claramente o impacto do cuidado, da acolhida e da presença na vida de alguém.


Mas, por trás desse cenário inspirador, existe uma realidade que raramente ganha espaço: a saúde mental de quem está na linha de frente. Em dezoito anos de atuação no Terceiro Setor, vivi momentos que me marcaram profundamente  desde situações de risco de vida, até o desespero de pessoas com câncer precisando de abrigo. São vivências que deixam marcas e nos lembram de uma pergunta urgente: quem cuida de quem cuida?


Nos bastidores do trabalho social, lidamos com sobrecarga emocional, jornadas intensas, escassez de recursos, equipes reduzidas, ausência de suporte psicológico e a sensação constante de que nunca fazemos o suficiente. É uma demanda humana imensa e, muitas vezes, silenciosa.


A força do Terceiro Setor no Brasil


O Terceiro Setor representa 4,27% do PIB nacional, movimentando cerca de R$ 423 bilhões ao ano. São 4,7 milhões de trabalhadores atuando em milhares de organizações em todo o país. 65% da força de trabalho é composta por mulheres, justamente o grupo mais afetado por transtornos mentais.


A saúde mental: um alerta urgente


Segundo dados do INSS e do Observatório de Saúde Mental e Trabalho:


- Em 2024, 64% dos afastamentos por transtornos mentais no Brasil foram de mulheres.

- A síndrome de burnout segue entre as principais causas de afastamento no setor de serviços e cuidado.

- Profissionais do Terceiro Setor estão mais expostos a fatores de risco como estresse contínuo, trauma secundário e sobrecarga emocional.


A mudança que a NR1 traz para o setor


Em maio de 2025, a atualização da NR1 passou a incluir riscos psicossociais como parte obrigatória do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). Essa mudança reconhece que a saúde no trabalho é física, emocional, mental e social.


Por que as OSCs precisam aderir à NR1


- Para proteger suas equipes e reduzir adoecimentos.

- Para ganhar legitimidade, segurança e transparência.

- Para evitar multas que podem chegar a R$ 181 mil.

- Para fortalecer sua imagem institucional e governança.


Benefícios de cuidar de quem cuida


- Queda no número de afastamentos;

- Mais engajamento e produtividade;

- Clima organizacional mais leve;

- Equipes mais estáveis e motivadas;

- Fortalecimento das lideranças;

- Retenção de talentos sociais.


Como colocar a NR1 em prática nas OSCs


1. Diagnóstico dos Riscos Psicossociais (DRPS).

2. Planejamento estruturado e ações contínuas.

3. Capacitação e sensibilização das lideranças.

4. Ações de cuidado institucional.

5. Monitoramento constante e registros formais.


Por um Terceiro Setor mais humano e sustentável


O Terceiro Setor chega onde o Estado e o mercado não chegam. Sustenta causas que mudam vidas todos os dias. Mas ninguém transforma o mundo adoecendo por dentro.




Mulher branca, cabelos curtos, sorridente em ambiente neutro segurando um notebook fechado nas mãos

Sobre a autora

Fernanda Cunha — Assistente Social, Terapeuta Integrativa, MBA em Sustentabilidade e Responsabilidade Social, Especialista em Políticas Públicas para Raça e Gênero. Atua com Diversidade, Equidade e Inclusão, coordenação de voluntariado corporativo, mentorias, Implementadora NR1.

(31) 99724-0074 | (31) 99962-0276

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