NR1 no Terceiro Setor: quem cuida de quem cuida
- Fernanda Cunha

- 18 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
Trabalhar no Terceiro Setor é testemunhar, bem de perto, a força da transformação social. É ver uma criança retomando a esperança, uma mulher reconstruindo sua autoestima, uma família encontrando novos caminhos. É acompanhar histórias que se reinventam e saber que, de alguma forma, você fez parte desse movimento. Poucas áreas oferecem a oportunidade de ver tão claramente o impacto do cuidado, da acolhida e da presença na vida de alguém.
Mas, por trás desse cenário inspirador, existe uma realidade que raramente ganha espaço: a saúde mental de quem está na linha de frente. Em dezoito anos de atuação no Terceiro Setor, vivi momentos que me marcaram profundamente desde situações de risco de vida, até o desespero de pessoas com câncer precisando de abrigo. São vivências que deixam marcas e nos lembram de uma pergunta urgente: quem cuida de quem cuida?
Nos bastidores do trabalho social, lidamos com sobrecarga emocional, jornadas intensas, escassez de recursos, equipes reduzidas, ausência de suporte psicológico e a sensação constante de que nunca fazemos o suficiente. É uma demanda humana imensa e, muitas vezes, silenciosa.
A força do Terceiro Setor no Brasil
O Terceiro Setor representa 4,27% do PIB nacional, movimentando cerca de R$ 423 bilhões ao ano. São 4,7 milhões de trabalhadores atuando em milhares de organizações em todo o país. 65% da força de trabalho é composta por mulheres, justamente o grupo mais afetado por transtornos mentais.
A saúde mental: um alerta urgente
Segundo dados do INSS e do Observatório de Saúde Mental e Trabalho:
- Em 2024, 64% dos afastamentos por transtornos mentais no Brasil foram de mulheres.
- A síndrome de burnout segue entre as principais causas de afastamento no setor de serviços e cuidado.
- Profissionais do Terceiro Setor estão mais expostos a fatores de risco como estresse contínuo, trauma secundário e sobrecarga emocional.
A mudança que a NR1 traz para o setor
Em maio de 2025, a atualização da NR1 passou a incluir riscos psicossociais como parte obrigatória do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). Essa mudança reconhece que a saúde no trabalho é física, emocional, mental e social.
Por que as OSCs precisam aderir à NR1
- Para proteger suas equipes e reduzir adoecimentos.
- Para ganhar legitimidade, segurança e transparência.
- Para evitar multas que podem chegar a R$ 181 mil.
- Para fortalecer sua imagem institucional e governança.
Benefícios de cuidar de quem cuida
- Queda no número de afastamentos;
- Mais engajamento e produtividade;
- Clima organizacional mais leve;
- Equipes mais estáveis e motivadas;
- Fortalecimento das lideranças;
- Retenção de talentos sociais.
Como colocar a NR1 em prática nas OSCs
1. Diagnóstico dos Riscos Psicossociais (DRPS).
2. Planejamento estruturado e ações contínuas.
3. Capacitação e sensibilização das lideranças.
4. Ações de cuidado institucional.
5. Monitoramento constante e registros formais.
Por um Terceiro Setor mais humano e sustentável
O Terceiro Setor chega onde o Estado e o mercado não chegam. Sustenta causas que mudam vidas todos os dias. Mas ninguém transforma o mundo adoecendo por dentro.

Sobre a autora
Fernanda Cunha — Assistente Social, Terapeuta Integrativa, MBA em Sustentabilidade e Responsabilidade Social, Especialista em Políticas Públicas para Raça e Gênero. Atua com Diversidade, Equidade e Inclusão, coordenação de voluntariado corporativo, mentorias, Implementadora NR1.
Contato: fernandacunhaconsultoria1@gmail.com
(31) 99724-0074 | (31) 99962-0276



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